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Documentos da Igreja
O Amor Divino do Sagrado Coração de Jesus

Os santos Padres, testemunhas verazes da doutrina revelada, advertiram muito oportunamente o que já Paulo apóstolo claramente significara, a saber: que o amor divino é como o princípio e a culminância da obra da encarnação e redenção. Lê-se freqüentemente nos escritos deles que Jesus Cristo tomou em si a natureza humana perfeita, o nosso corpo frágil e caduco, para nos proporcionar a salvação eterna e manifestar, patentear em forma sensível o seu infinito amor a nós.

Fazendo-se eco da voz do Apóstolo das gentes, São Justino escreve o seguinte: “Amamos e adoramos o Verbo nascido de Deus inefável e que não tem princípio; já que ele se fez homem por nós para que, tornado participante das nossas doenças, proporcionasse-nos o seu remédio”.

Eis alguns testemunhos dos santos Padres da Igreja em favor dos afetos sensíveis do Verbo encarnado:

São Basílio, o primeiro dos três Padres da Capadócia, afirma que os afetos sensíveis de Cristo foram verdadeiros e ao mesmo tempo santos: “É manifesto que o Senhor possuiu os afetos naturais em confirmação da sua verdadeira, e não fantástica, encarnação; manifesto é também que ele repeliu como indignos da divindade os afetos viciosos, que mancham a pureza da nossa vida”.

São João Crisóstomo, luminar da Igreja antioquena, confessa que as emoções sensíveis de que o Senhor deu mostra provam irrecusavelmente haver ele possuído integralmente a nossa natureza humana: “A não haver ele possuído a nossa natureza, não teria experimentado, uma e mais vezes, a tristeza”.

Santo Ambrósio afirma que a união hipostática é a origem natural dos afetos e sentimentos que o Verbo de Deus encarnado experimentou: “Portanto, já que ele tomou a alma, tomou as paixões da alma; pois Deus, como Deus que é, não podia perturbar-se nem morrer”.

São Jerônimo diz que o principal argumento para provar que Cristo assumiu realmente a natureza humana: Nosso Senhor entristeceu-se realmente, para manifestar a sua humana natureza.

Santo Agostinho faz notar a íntima união existente entre os sentimentos do Verbo encarnado e a finalidade da redenção humana: “O Senhor revestiu-se dos afetos da fragilidade humana, do mesmo modo que aceitou a fragilidade da nossa carne e a morte desta, não por necessária coação, mas sim pelo estímulo da sua misericórdia, para assimilar a si o seu corpo; que é a Igreja, da qual ele se dignou ser a cabeça, ou seja, assimilar seus membros em seus santos e fiéis; de modo que, se por efeito das tentações humanas algum deles se entristecesse e sofresse, nem por isso pensasse estar privado do influxo da sua graça; e, assim como um coro fica alerta à voz que lhe dá o tom, assim também o seu corpo soubesse da sua cabeça que por si mesmos, tais movimentos não são pecado, senão somente indício da humana fragilidade”.

São João Damasceno com maior concisão e não menor força estas passagens atestam a doutrina da Igreja: “O Deus todo tomou todo o homem, e o todo se uniu ao todo para proporcionar a salvação do homem todo. De outra maneira não teria ele podido sanar aquilo que não assumiu”. “Tomou, pois, tudo para santificar tudo”.

Fonte: Parte da Carta Encíclica do Papa Pio XII HAURIETIS AQUAS de 15 de maio de 1956, sobre a devoção do sagrado Coração de Jesus. Capítulo II (24-25).

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