O Papa Bento XVI, em uma das audiências gerais durante o tempo de Natal, nos disse:

Nestes dias, nas nossas igrejas ressoou inúmeras vezes o termo «Encarnação» de Deus, para expressar a realidade que celebramos no Santo Natal: o Filho de Deus fez-se homem, como recitamos no Credo. Mas o que significa esta palavra central para a fé cristã? Encarnação deriva do latim «incarnatio». Santo Inácio de Antioquia — no final do primeiro século — e, acima de tudo, santo Irineu, utilizaram este termo, meditando acerca do Prólogo do Evangelho de São João, de modo particular sobre a expressão:

«O Verbo fez-se carne» (Jo 1, 14). Aqui, a palavra «carne», em conformidade com o uso hebraico, indica o homem na sua integridade, o homem todo, mas precisamente sob o aspecto da sua caducidade e temporalidade, da sua pobreza e contingência. Isto, para nos dizer que a salvação trazida por Deus que se fez carne em Jesus de Nazaré atinge o homem na sua realidade concreta e em qualquer situação em que se encontre. Deus assumiu a condição humana para purificá-la de tudo aquilo que a separa dele, para nos permitir chamá-lo, no seu Filho Unigênito, com o nome «Abá, Pai» e assim ser verdadeiramente filhos de Deus. Santo Irineu afirma: «Este é o motivo pelo qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a filiação divina, se tornasse filho de Deus».

Estas palavras de nosso Papa Bento nos remetem a confiança em nos aproximar do Menino. Este é o tempo favorável, tempo de contemplação do Deus conosco. Ele não nos deu algo, mas nos deu a Si mesmo. Jesus, por Maria, revestiu-se de nossa humanidade, e a tornou, em si, divinizada.

Glória a Deus no alto dos céus!