O Espírito Santo nos fala através da Igreja, é isto que nos ensina São João, quando repete sete vezes no livro do Apocalipse: “Quem tiver ouvidos ouça, o que o Espírito Santo diz a Igreja” (Ap 2,3). Nesta quarta-feira, de modo especial, o Espírito Santo nos falou através da Igreja, no momento da catequese, que acontece todas as quartas-feiras no Vaticano.

Devido ao intenso calor do verão de Roma, a audiência com o Papa Francisco foi na Sala Paulo VI. Acontece que enquanto ele falava, uma menina autista corria inquieta de um lado pro outro, teve um momento que ela ficou, “estaqueada” parada bem na frente do Papa Francisco. Foi então que ele comentou:
– Todos nós vimos esta menina tão bela. Pobrezinha, é vítima de uma doença e não sabe o que faz. Eu pergunto uma coisa: Eu rezei por ela para que Deus a cure e proteja? Rezei pelos pais e sua família? Deus nos fala através das crianças”. E de modo tranquilo, o Papa continuou a audiência, e a menina permaneceu correndo diante dele.

A medicina reconhece o autismo como sendo um “transtorno”, tanto que o nome desta doença é Transtorno do Espectro Autista. As famílias e os professores que convivem com crianças autistas, sabem o quanto esta doença causa mesmo muitos transtornos, principalmente para a própria criança. A criança autista vive uma condição marcada por perturbações do desenvolvimento neurológico e social, que há faz sofrer.

A questão é: “Pelo que na nossa geração, nas ultimas duas décadas, está se manifestando tantas crianças com autismo e outras doenças neurológicas?” O que está acontecendo com as cabeças de nossas crianças?

É através do uso da cabeça que se toma decisões. Quando a inteligência de uma criança é amputada, o futuro dela é comprometido, pois será impedida de tomar decisões mais sérias e de formar a própria família.

Como disse o Papa, esta bella ragazza, ela é doente e não sabe o que faz! Esta menina também de uma certa forma, apresentou para o mundo, o estado atual da humanidade. Esta humanidade que corre de um lado para o outro, não sabendo o que faz. É no corre-corre que os pais agitados podem se esquecerem de protegerem seus filhos. Quando os filhos são afligidos pelo mal e pela doença, as distrações dos pais não permite investigar e descobrir o que pode estar ferindo tantas crianças, na sua capacidade intelectual.

Quem tiver ouvidos que ouça, o que o Espírito Santo diz a Igreja (Ap 2).

Cleonice M. Kamer