A Liturgia traz à memória a figura de Jonas, profeta que viveu no século VII antes de Cristo. Recebeu de Deus a missão de pregar em Nínive, capital do império assírio, cidade tão grande que “eram precisos três dias para percorrê-la” (Jn 3, 3). Seus habitantes viviam na iniquidade, e Deus ordenou a Jonas que para lá se dirigisse a fim de anunciar-lhes a destruição da cidade.

O profeta, entretanto, desobedecendo a Deus, embarcou num navio que seguia em direção oposta à de Nínive. O Senhor fez que houvesse grande tempestade no mar, ameaçando de naufrágio a embarcação. Todos os viajantes ficaram aterrorizados, enquanto Jonas dormia no porão do navio….

Os marinheiros despertaram-no e tiraram a sorte para saber, segundo julgavam, quem era o culpado daquela tragédia. Tendo sido Jonas indicado como tal, foi ele lançado ao mar, que logo se acalmou. Deus fez, então, que um grande peixe engolisse Jonas, o qual milagrosamente ficou ileso durante três dias e três noites em seu ventre. Enquanto isso, o profeta rezava. Por ordem do Criador, foi ele expelido pelo peixe em uma praia.

Novamente mandou o Senhor que Jonas fosse a Nínive para transmitir aos habitantes sua mensagem. O profeta obedeceu e percorreu a “cidade durante todo um dia, pregando: “Daqui a 40 dias Nínive será destruída!” (3, 4). Ouvindo essas terríveis palavras, os ninivitas começaram a fazer penitência, e o próprio rei “levantou-se do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza” (3, 6). Significado gesto de humildade, que bem expressava seu arrependimento.

Publicou ainda o monarca um decreto: “Fica proibido aos homens e aos animais tanto do gado maior como do menor, comer o que quer que seja, assim como pastar ou beber. Homens e animais se cobrirão de sacos. Todos clamem a Deus em alta voz; deixe cada um o seu mau caminho e converta-se” (3, 7-8) Diante dessa sincera conversão dos ninivitas, mudou o Senhor seus desígnios e não os castigou.

Jonas no centre do peixe simboliza Nosso Senhor Jesus Cristo no sepulcro, como Ele próprio afirmou quando escribas e fariseus pediram-Lhe que fizesse um milagre: “Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas: do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra (Mt, 12, 39-40).

E a bela atitude dos ninivitas – que levaram a sério a ameaça do profeta Jonas, fizeram penitência e mudaram de vida – mereceu elogios de Nosso Senhor, o qual na mesma ocasião acrescentou: “Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas” (Lc 11, 32)

O mundo de hoje encontra-se numa situação não muito diferente da de Nínive, antes da pregação, convém ter presente o exemplo dos habitantes daquela cidade, que, alertados pelo profeta, clamaram a Deus, isto é, rezaram, fizeram penitência e deixaram maus caminhos.

(Revista Arautos do Evangelho, Março/2004, n. 27, p 32-33)