Dentre as muitas recomendações, que faz Nosso Senhor aos seus discípulos, entre os quais nós mesmo, com toda a razão, nos gostamos de colocar, lembraremos uma das mais sérias e repetidas, que ainda hoje vale sempre para quem o deseja seguir com fidelidade. Referimo-nos à recomendação da vigilância.

É certo que este conselho do Divino Mestre se refere principalmente ao destino último do homem, próximo ou remoto no tempo. Mas, exatamente porque esta vigilância deve atuar sempre na consciência do servo fiel, determina-lhe na prática o comportamento moral a cada momento. É o que deve caracterizar o cristão no meio do mundo.

Nosso Senhor recomenda-nos a vigilância mesmo falando de fatos muito próximos, de perigos e tentações que podem fazer decair ou transviar a atitude do homem (cf. Mt 26,41). Fácil é descobrir no Evangelho um apelo contínuo à retidão no pensar e agir. Acaso não se referia a ela a mensagem do Precursor, que inicia a vida pública no Evangelho? E o próprio Jesus Cristo não nos convidou a aceitarmos interiormente o reino de Deus? (Mt 17,21). Não é toda a sua pedagogia um apelo, uma iniciação à interioridade?

A consciência psicológica e a consciência moral são chamadas por Cristo à plenitude simultânea, quase como condição para recebermos, como convém ao homem, os dons divinos da verdade e da graça. E a consciência do discípulo tornar-se-á depois memória (cf. Mt 26,75; Lc 24,8; Jo 14,26; Jo 16,4) de todas as lições de Jesus e de tudo quanto sucedeu à sua volta. Virão depois o progresso e aprofundamento na compreensão de quem ele é, e do que ensinou e fez.

Fonte: Carta Encíclica, ECCLESIAM SUAM, do Sumo Pontífice Papa Paulo VI, sobre os caminhos da Igreja.