Em particular hoje, com a liturgia, detemo-nos para meditar sobre o mistério da Visitação da Virgem a Santa Isabel. Maria, trazendo no seio Jesus recém-concebido, vai visitar a prima Isabel, que todos consideravam estéril e que, contudo, tinha chegado ao sexto mês de uma gravidez concedida por Deus (cf. Lc 1, 36). É uma jovem, mas não tem medo, porque Deus está com Ela, dentro dela. De certo modo, podemos dizer que a sua viagem foi apraz-nos sublinhá-lo neste Ano da Eucaristia a primeira “procissão eucarística” da história. Maria, tabernáculo vivo de Deus que se fez carne, é a arca da Aliança, em que o Senhor visitou e redimiu o seu povo. A presença de Jesus enche-a de Espírito Santo. Quando entra na casa de Isabel, a sua saudação é transbordante de graça: João estremece no seio da mãe, como se tivesse sentido a vinda daquele que no futuro ele deverá anunciar a Israel. Os filhos exultam, as mães regozijam-se. Este encontro, impregnado da alegria do Espírito, encontra a sua expressão no cântico do Magnificat.

Não é, porventura, também esta a alegria da Igreja, que acolhe incessantemente Cristo na sagrada Eucaristia e O leva ao mundo com o testemunho da caridade concreta, imbuída de fé e de esperança? Sim, acolher Jesus e levá-lo aos outros é o verdadeiro júbilo do cristão! Diletos Irmãos e Irmãs, continuemos a imitar Maria, uma alma profundamente eucarística, e toda a nossa vida poderá tornar-se um Magnificat (cf. Ecclesia de Eucharistia, 58), um louvor a Deus. Seja esta a graça que, nesta tarde pedimos em conjunto à Virgem Santíssima, na conclusão do mês de Maio. Concedo-vos a todos a minha bênção.

Fonte: Bento XVI, Saudação no final do Rosário recitado na Gruta de Lourdes, nos jardins do Vaticano, 31/5/2005