O Cardeal Ratzinger descreve, em 1969: “Da crise atual surgirá uma Igreja que terá perdido muito. Tornar-se-á pequena e deverá recomeçar mais ou menos dos inícios. Não será mais capaz de ocupar os edifícios que construiu nos tempos de prosperidade. Com a diminuição dos seus fieis, perderá também grande parte dos privilégios sociais. Recomeçará de pequenos grupos, de movimentos e de uma minoria que recolocará a fé no centro da experiência. Será uma Igreja mais espiritual, que não se arrogará uma função política, flertando ora com a direita ora com a esquerda. Será pobre e tornar-se-á a Igreja dos indigentes.

O que Ratzinger descrevia era “um processo longo, mas quando toda essa série de dificuldades passar, florescerá um grande poder de uma Igreja mais espiritual e simplificada”. Naquele momento os homens descobrirão estar morando num mundo de “indescritível solidão” e tendo se esquecido de Deus “perceberão o horror de sua pobreza”.

Então, e só então, concluía Ratzinger, se darão conta “daquele pequeno rebanho de crentes como algo de totalmente novo: descobri-lo-ão como uma esperança para si mesmas, como a resposta que tinham sempre procurado em segredo…”

Também o Papa São João Paulo II, fala sobre as Novas Fundações, em 1999: “Como é grande, hoje, a necessidade de personalidades cristãs amadurecidas, conscientes da própria identidade batismal, da própria vocação e missão na Igreja e no mundo! E eis, então, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta, suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio do final de milênio. Vós sois esta resposta providencial. Os verdadeiros carismas não podem senão tender para o encontro com Cristo nos Sacramentos.”

Essa profecia é para nós, leigos consagrados a um Carisma na Igreja. Há um caminho a percorrer que exige a maturidade dos que foram chamados para serem uma resposta nesse tempo: “sois essa resposta, ou terei de esperar outros?”