Nós viemos para este tempo, para sermos uma resposta providencial, assim como o Papa São João Paulo II disse sobre as Novas Fundações. Somos cristãos com uma consagração de vida, sempre em formação para pertencermos mais a Deus, capazes de deixar tudo para possuir Cristo Jesus.

O próprio Deus toma posse de cada um de nós. Aqui, então, devemos perder a autonomia, a decisão individual para ser submisso a Deus através do carisma, eu seja, o dom que Deus sonhou desde toda eternidade para nós.

Estamos vivendo num mundo doente, então é claro que, dentro da comunidade, precisamos da lucidez. Às vezes ouvimos as pessoas dizerem que é preciso amar, é preciso acolher a todos. Mas dentro de uma vida consagrada nós precisamos acolher aqueles que estão aptos para este ministério de ser consagrado.

Nós precisamos entender que não é o sentimento que chama, mas é primeiro o poder do Espírito, ser chamado é um poder do Alto, é um desígnio de Deus. Todos nós que somos chamados à vida consagrada num carisma já nascemos com este desígnio de Deus a nosso respeito, isso é uma grande graça, a segunda grande graça é encontrarmos o lugar.

A vida consagrada é uma responsabilidade minha, está nas minhas mãos. Este é o primeiro aspecto da lucidez: a responsabilidade é minha, independentemente do que acontece ao meu redor ou dentro de mim, a resposta é livre, a minha resposta é sempre livre. O segundo aspecto da lucidez é ser testemunho da filocalia, desse aspecto de Deus (grego antigo: “amor pelo belo, a beleza”), é uma responsabilidade mostrar Deus, não é algo que eu posso escolher, mas é uma responsabilidade pessoal manifestá-Lo, ou seja, fazer segundo aquilo que Ele pensa, o que Ele disse e não o que eu penso. Aquilo que o próprio Deus disse para o consagrado é aquilo que este deve responder ou dizer, faz parte da lucidez agir assim, pois se as opiniões diversas entrarem neste caminho é fácil perder-se, aí já não sabemos mais dizer o que é e o que não é.