Somos homens e mulheres criados pelo Eterno, fomos criados com lucidez e imortalidade, imagem e semelhança de Deus, para permanecer um dom. Mas o pecado original, que não foi qualquer coisa e nem um evento na humanidade, deformou o homem todo e todos os homens foram atingidos em sua natureza por este mal, que tornou o homem decaído, corrompido e destinado a morte.

Com o Sacramento do Batismo o pecado original é apagado em nós, mas ainda sim podemos cair no pecado, devido a nossa condição ser marcada por nossa fragilidade e inclinação ao mal: “Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, já não sou eu que estou agindo, mas o pecado que habita em mim (…). Infeliz que sou!” (Rm 7, 20.24a). Assim como São Paulo, o consagrado deve carregar em si uma tristeza pelo mal que ainda habita dentro de si, este mal que impede a purificação, primeiro nele mesmo e, de conformá-lo com Cristo.

Na Igreja somos chamados a nos configurarmos com Cristo, a termos o mesmo sentimento do Filho de Deus. A Igreja é este povo que tomou uma decisão que é a vontade de Deus, a obediência. “Formaste-me um corpo. Eis que venho, ó Pai, para cumprir Vossa vontade”. (Sl 39).

No mundo tudo é regido pelo senso comum, enquanto que na Igreja somos conduzidos pelo Espírito da Verdade, Ele rege a nossa vida, não é a vontade humana que nos faz caminhar na Igreja, mas o Espírito Santo. Por isso que todo tipo de achismo, de opinião própria, de confronto e discordância com o Magistério e com o Evangelho se torna uma ação demoníaca, porque impede a salvação para mim e para toda a Igreja. A vontade de Deus é o que devo fazer no meu agora e naquilo que é minha missão.

Como um ser criatural o homem não consegue ordenar-se por si mesmo, precisa da submissão a Deus, que o ordena e o conduz no Amor. Toda vez que o homem toma a sua vida em suas próprias mãos e deseja ordenar-se, reger-se, entra no estado de diabolização. Quanto mais o membro da comunidade quiser ficar se ordenando, mais vai cair na diabolização. O homem não consegue governar-se, precisa de um outro, pois ele foi criado para um Outro, para o senhorio de Jesus, para submeter-se a Deus. Não buscando o Deus verdadeiro, o homem se atira em fábulas e o demônio, que age no mundo, oferece essa ilusão de felicidade que o engana e tão facilmente o faz cair nessa armadilha.