Um dos maiores e mais belos dons que Deus deu ao ser humano é o da imaginação. Somente nós, em meio a toda as criaturas, é que podemos imaginar – e quantas vezes somos arrastados a sofrimentos e à preocupações inexistentes por não sabermos administrar a força da nossa imaginação. Quando Deus no-la deu, pensou que a usaríamos em direção ao belo, ao bom e ao verdadeiro, o que infelizmente não ocorre sempre; basta olhar à nossa volta para perceber e dar-se conta desta desventura.

Os dias que nos assolam abrem-nos, igualmente a possibilidade de lançarmo-nos no caminho da contemplação das coisas Divinas ou espirituais. Buscando auxílio para percorrer este belíssimo desafio, recorremos à grande mística da Igreja Católica, santa Teresa d’Avila ou santa Teresa de Jesus, que nos orienta assim: “O caminho mais seguro para os contemplativos é não procurarem atingir coisas elevadas, se o Senhor não os eleva.”

É pela humanidade de Cristo que se há de chegar à mais alta contemplação. Para agradarmos a Deus e para que nos conceda favores, deseja Ele que os recebamos por intermédio desta humanidade sacratíssima de Jesus, seu Filho, ao declarar em seu batismo no rio Jordão: “Este é meu Filho muito amado, nele Eu coloco todo o meu Amor (afeição)” (Lc 3,22). No Tabor, Deus Pai igualmente testemunha, dizendo: “Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-O” (Mt 17,5). Isto nos leva a compreender claramente que Jesus Cristo é a Porta pela qual devemos entrar se pretendemos que a soberania de Deus Pai nos revele grandes segredos.

É grande coisa trazer Deus humanado diante de nós, enquanto vivemos e somos humanos. Não somos anjos, temos corpo. Quando se perde a tranquilidade no meio de negócios, perseguições, sofrimentos e em tempos de secura, Cristo é o melhor amigo. Adquirindo hábito, é muito fácil encontrá-Lo junto a nós. E visto ser permitido à alma ficar aos pés de Cristo, procure não sair daí, seja qual for a sua condição. (parte do texto do Livro de Santa Teresa de Jesus – cap. 22).