“Aprouve a Deus, na sua sabedoria e bondade, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tomam participantes da natureza divina”. Deus, que “habita numa luz inacessível”(1 Tm 6, 16), quer comunicar a sua própria vida divina aos homens que livremente criou, para fazer deles, no seu Filho único, filhos adotivos (CIC 51 e 52).

Somos marcados para testemunhar a beleza extraordinária da fé em Jesus Cristo, nosso Senhor, e entrar no mistério do Evangelho. Façamos memória de São Paulo que, em Damasco, cercado pela Luz, ouviu a Voz do Divino Mestre que o transpassou como fogo em brasa e tornou-se o Apóstolo das nações! (cf. At 20, 22-24). Mais tarde, ele declarou : “Eu me tornei servo deste Evangelho em virtude da graça que me foi dada pela onipotente ação divina” (Ef 3,7).

Nosso batismo, nossa fé em Cristo, que é verdadeira Luz, nossa comunhão com Ele e sua Palavra, deveriam produzir também em nós esta verdade: tornei-me servo deste Evangelho! No entanto, temos nos deixado, não poucas vezes, nos envolver pelas trevas do erro e do pecado. Resistimos à Sua Lei, Sua Verdade, e nos perdemos, seguindo outros mestres que colocam em dúvida a própria doutrina de Cristo e colocam em suspeita os dogmas da fé. Nossa posição diante da verdade que é Cristo e sua autêntica Igreja, Corpo Místico, não pode ser neutra, indiferente ou ignorante no conteúdo da fé católica. Deus nos chama à decisão do testemunho, do anúncio do que Cristo diz, um anúncio, como nos orienta o Papa Bento XVI, sem “se” e sem “mas”.

Retornando à vida de São Paulo, suas palavras ressoam também em nossos dias: Quem poderá me separar do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? – E respondendo a si mesmo e a Deus, cheio do Espírito Santo, diz: Nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor de Deus em Cristo Jesus. Sim, querido Paulo, com a vida confirmas a resposta que tua boca proclamou, mas pergunto: E nós? E eu? Hoje, nossa conivência com o mundo, as enfermidades, o medo, a mediocridade, a infantilidade na fé, a indiferença à Verdade, a mundanidade em nossa realidade de batizados, nossos aplausos ao pecado e às fontes perversas e perversoras, não estão nos separando do Amor de Cristo?

Ouçamos mais uma vez o Apóstolo Paulo: Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé. Não corramos por esta vida em vão, mas, guardemos, com toda a confiança, esperança e sob qualquer circunstância, a obediência da fé. Revistamo-nos da armadura do cristão para que possamos resistir às ciladas do demônio nos dias maus e manter-nos inabaláveis no cumprimento do nosso dever. A cintura cingida com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, os pés calçados de prontidão para anunciar o evangelho da paz, embraçados do escudo da fé, com o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é a Palavra de Deus.

Gislaine T. Benedetti
Cofundadora da Comunidade Oásis