Consideremos, em primeiro lugar, que na festa de Pentecostes, quando os discípulos estavam todos reunidos juntos, “de repente, veio do céu um ruído como de um vento forte, que encheu toda a casa em que se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia expressar-se” ( At 2, 2-4). Assim receberam eles o Consolador prometido, com todos os seus dons e graças. Assim foram eles completamente transformados em outros homens. De fracos e covardes que eram antes, eles se tornam agora, de repente, corajosos e perfeitos. Começam a pregar com audácia, a proclamar a fé e a lei de seu Senhor crucificado, e trazem milhares de pessoas para abraçá-las.

Ó Espírito celeste, quão maravilhosas são vossas obras! Ó quando realizareis semelhante transformação em minh’alma! Cristãos, louvai e bendizei o vosso Deus por enviar dessa maneira o seu Espírito Santo sobre sua Igreja, e por todas as maravilhas que ele operou em sua primeira fundação. Os israelitas observavam a solenidade de Pentecostes como uma das três principais festas do ano, porque nesse dia a antiga lei fôra publicada, do monte Sinai, em meio a relâmpagos e trovões. Quanto mais não devem os cristãos religiosamente observar essa solenidade, já que nesse dia, do monte Sião, a nova lei da graça e do amor foi publicada, com a descida do Espírito Santo em línguas de fogo.

Consideremos, em segundo lugar, que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos em forma de línguas, significando que Ele veio para torná-los pregadores aptos da Palavra; veio para dotá-los com o dom de línguas, com a sabedoria celeste e a inteligência dos mistérios de Deus e de todas as verdades do Evangelho, a fim de que eles se tornassem capazes de ensinar e proclamar, por todo o mundo, a fé e a lei de Cristo!

E essas línguas eram de fogo, para mostrar como o Espírito divino age nessas almas: inflamando-as com o incêndio do divino amor; consumindo a escória de seus apegos mundanos; colocando nelas uma moção contínua de desejos e esforços sinceros por progredir, de virtude em virtude, assim como o fogo está sempre em movimento; e levando-as para o alto, em direção ao Deus dos deuses, na Sião celeste, assim como a chama está sempre se elevando para o alto. Ó fogo bendito, vinde e tomai posse de meu coração, consumi todos estes fios que o mantêm atado à terra e levai-o convosco, rumo à fornalha celeste donde viestes! Ó doce Jesus, Vós que dissestes: “Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso” (Lc 12, 49), lançai este fogo dentro de minh’alma, para que aí ele fique aceso!

Consideremos, em terceiro lugar, que a vinda do Espírito Santo foi uma graça prometida não apenas aos Apóstolos e cristãos dos primeiros séculos, mas ao povo de Deus através de todas as eras. “Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade” ( Jo 16, 17). Ele foi destinado a estar para sempre: com os pastores da Igreja de Deus, conduzindo-os à plena verdade, ao ensinar o povo de Deus; e com as ovelhas de Cristo, conduzindo-as em sua fé e em sua vida, e sendo a fonte de toda graça para suas almas. Sendo assim, ainda que agora não mais devamos procurar a descida visível do Espírito em línguas de fogo, nós estamos no entanto habilitados, se sinceramente O procuramos e recorremos a Ele, a esperar uma participação em suas graças e comunicações invisíveis, e a aspirar à honra e à alegria de sermos templos dEle.

Cristãos, que alegria não é, de fato, ter o Espírito de Deus em nós! A isto nós todos devemos aspirar com todas as nossas forças! É esta a grande devoção deste tempo santo! Por isto nós devemos suplicar em todos os momentos!

Concluamos, enfim, com este humilde pedido da Igreja ao divino Espírito: “Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”, ou com aquele outro do hino sacro: “Ó vinde, Espírito Criador, as nossas almas visitai e enchei os nossos corações com vossos dons celestiais.” Repitamos com frequência essas orações e outras semelhantes, e confiemos na infinita bondade dAquele que se deleita em estar entre os filhos dos homens, vindo até eles e fazendo neles a sua morada.

Fonte: http://www.liturgialatina.org/challoner/whitsun.htm

(Tradução Equipe Christo Nihil Praeponerehttps://padrepauloricardo.org )