Na encarnação do Verbo, contemplamos o Deus menino que vem para nos reconciliar com o Pai. Em sua vida pública, nos revela Sua vontade, Seu poder extraordinário, nos conta os mistérios que só Ele conhecia e fala aos homens face a face! Mas é no Seu Sacrifício Pascal, em Seu corpo, humilhado, flagelado e crucificado que realiza a nossa redenção.
Ele sofre a angústia mortal: “Pai, não seja feita a minha, mas a Tua vontade” (Lc 22,42). Ele nos convida a crer e confiar na Sua vontade, em meio às circunstâncias que nos solicitam ao pecado, à divisão e ao abandono à Palavra que nos Salva. A sonolência dos discípulos naquele momento da angústia ainda permanece, ao longo dos séculos, tornando-se ocasião favorável para o poder do mal. O próprio Deus “bebe o cálice” de tudo aquilo que é terrível e, assim, restabelece o direito por meio da grandeza do Seu amor, de através do sofrimento, transformar a escuridão em um novo princípio: A luz foi feita! A luz é Deus que ilumina todo homem (Jo 1).
Ele é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, e pelo sangue derramado, sacrifício da Nova Aliança, restabelece a comunhão entre o homem e Deus. “Quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12, 32; 8, 28). Na cruz Jesus consuma o Seu sacrifício. É o “amor até o fim”.
“O amor de Cristo nos constrange ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram”(2 Cor 5, 14). Nenhum homem, ainda que fosse o mais santo, estava em condições de tomar sobre si os pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos. Por Ele ser o Cristo, a Pessoa Divina do Filho, que ultrapassa e ao mesmo tempo abrange todas as pessoas humanas e O constitui cabeça de toda a humanidade, é que torna possível o seu sacrifício redentor por todos (CIC 616).
Pela Sua Santíssima Paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação – ensina o Concílio de Trento (499), sublinhando o carácter único do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna. “Há uma só escada verdadeira fora do paraíso, que é a Cruz de Cristo, e fora dela não há outra escada por onde se suba ao céu” (CIC 509). Vivamos, pois, como filhos, obedientes ao Pai, herdeiros da vida eterna conquistada a preço de sangue, por Cristo Nosso Senhor. Amém!
