“O que Deus uniu o homem não separe” (Mt 19,06). Estas mesmas palavras de Jesus todos os noivos católicos escutam no dia do casamento. No momento da conclusão da benção das alianças dos noivos, segundo o Ritual Romano do Sacramento do Matrimônio, o sacerdote diz: “Deus eterno e todo poderoso o que Vós uniu o homem não separa. Seja pois este matrimônio para Vós agradável”(1).
“O que Deus uniu o homem não separe” (Mt 19,06), é uma benção que abrange uma ordem Divina, pois está no verbo imperativo, “não separe”. Esta ordem Divina também traz junto todas as graças necessárias para o casal não se separarem, diante das inúmeras dificuldades que encontram no casamento. Esta benção matrimonial também da forças para os cônjuges se perdoarem.
“O que Deus uniu o homem não separe” (Mt 19,06), estas mesmas palavras proclamadas no dia do matrimônio católico, oferece também a garantia das graças necessárias para a reconciliação conjugal, quando um dos cônjuges é abandonado, seja por dificuldades ou pelo adultério.
Há muitos anos o Senhor nos concedeu a graça de termos uma intercessora, que intercede por nossa família. Esta intercessora fiel passou pela dura provação da separação conjugal. Seu esposo deixou a família para viver com outra mulher, da qual teve um filho. Testemunhei por anos a dor desta mulher, de ser abandonada pelo esposo. Testemunhei também a fidelidade dela. Enquanto muitos diziam para ela buscar outra pessoa, ela decidiu que iria lutar pela salvação da alma de seu esposo e pela reconciliação conjugal. Depois de quase dez anos de separação, ambos se reconciliaram. O esposo que antes quase não rezava, hoje participa com ela nas Santas Missas e reza o terço com ela. Ela por sua vez se rejuvenesceu e fortaleceu-se ainda mais na fé.
O matrimônio permanece válido, mesmo que um dos cônjuges abandona o casamento e tem filhos com outra pessoa, a união que é legítima permanece sendo a do matrimônio, que foi selada com o Preciosíssimo Sangue de Jesus no dia do casamento. Recordamos o que aconteceu com Abraão, que teve um filho com Sara sua esposa, mas também teve filho com a escrava Agar. Deus cuidou do filho de Agar, mas a promessa da benção da posteridade aconteceu na Aliança conjugal, através de Isaac, filho de Abraão com Sara (Gn 16).
“O que Deus uniu o homem não separe” (Mt 19, 06).
Cleonice Macedo Kamer
(1) Missale Romanum – Rito do Sacramento do Matrimônio. https://missaleromanum.weebly.com/rito-de-casamento.html


