Nós somos chamados a abdicar da nossa autonomia, desse discernimento individual, para nos tornarmos um e realizar o projeto que no coração do Pai desde toda a eternidade se manifestou: “que sejam meus consagrados”. Somos determinados pelo Magistério da Igreja como formas atípicas, porque é algo novo na Igreja, algo que não está determinado legalmente no Cânon; somos um querer Divino, nós nascemos porque Deus quis, dessa forma: com a forma própria de rezar, com a forma própria de falar e de cantar, com o fogo do Espírito Santo, para ser um autêntico dom.

“Formas atípicas são aqueles ou aquelas que surgem a partir das associações de fiéis, dos movimentos eclesiais e das novas famílias eclesiais não contempladas pela legislação universal da Igreja. O valor interno da consagração, seja da parte de Deus, seja da parte do fiel que se consagra é de per si independente do grau de reconhecimento externo e jurídico, por isso a consagração não pode ser considerada teologicamente menos plena e perfeita do que nos institutos típicos. A intervenção da autoridade eclesiástica no ato mesmo da consagração acresce a esta, indubitavelmente, um especial valor teológico enquanto comporta uma inserção especial da Igreja, como sociedade visível e uma mais intensa união com o corpo Místico de Cristo” (Doc. partilhado sobre as Novas Comunidades em reunião dos Bispos em 2018).

Então sobre o valor da nossa consagração, quer dizer que não precisamos de uma aprovação ou diocesana ou canônica para nos consagrarmos. Porque a consagração é um dar a vida, é colocar o nosso batismo, o nosso ser, a nossa pessoa submetido à regra de vida e à ordem da comunidade para o serviço de Deus. É tornar-me quem sou e eu sou um Carisma, se eu sou um Carisma, eu posso me consagrar. O Bispo vai dizer se a comunidade é um Carisma com o tempo, ele vai testemunhar, ele vai oficializar que ela é: um Carisma para Igreja. Mas quem vai validar ou não a consagração, no caminho de formação, é o fundador, os formadores e seu conselho.