Na nossa caminhada cristã precisamos dar lugar à vontade de Deus, às inspirações que o próprio Espírito Santo vai dando aos nossos pensamentos, desejos e obras. É Ele quem nos impele, nos dá luzes para tomarmos consciência de quem somos e de quem Ele é, e força para realizarmos tudo o que Ele espera de nós. A docilidade, a vida de oração, a união com a Cruz são realidades fundamentais para trilharmos este caminho. Pois nenhum planejamento nosso pode estar acima Daquele que quer falar ao nosso coração. Os projetos e os sonhos particulares dos consagrados muitas vezes persistem dentro da comunidade, mas Deus tem os seus planos, os seus caminhos e por causa deles estamos e vivemos a nossa vocação.

É por causa dos Seus caminhos que estamos na comunidade, não é por escolha nossa, do que a gente quis ou não fazer. Somos colaboradores da vontade de Deus com a nossa resposta, com o nosso sim a cada momento Deus vai fazendo, Deus nos dá a graça de darmos passos, de dar um passo após outro. “Sei que não faço nada sozinho. Também não poderia fazer sozinho, Ele sempre está lá. Preciso apenas ouvir e me abrir mais para Ele. (Bento XVI)”

Essa forma de escuta e obediência é a forma que Cristo viveu a sua vida com o Pai aqui na terra, e esta deve ser a forma de cada batizado viver. Ele quer falar e muitas vezes os planejamentos, os desejos de glória tem ferido e emudecido o Espírito Santo. É Deus quem faz as coisas: as obras apostólicas não devem o seu crescimento às forças humanas, mas ao sopro do Espírito Santo, a graça que Ele derrama a partir da escuta, e a própria unção vai dando o fruto da escuta.

A unção precisa de que a matéria-prima seja boa, seja dócil, e é assim que Deus vai nos constituindo, vai nos fazendo um consagrado, por essa graça que recebemos desde o batismo, a marca da filiação, Deus vai tomando posse de nós e transforma nosso coração pela raiz e nos leva a viver no esperançoso abandono dos filhos de Deus e o mundo aguarda e anseia pela manifestação destes filhos de Deus, que somos cada um de nós.