A graça significa a presença do Criador no mundo e na história. Já os antigos pensadores romanos, que chegaram a vislumbrar a necessidade de haver um Deus único, não acreditavam que Ele se interessasse pelas ninharias humanas. Diziam: “Deus sublunaria non curat”. Isto é, Deus não se interessa pelas insignificâncias que ficam abaixo da lua. O ensinamento cristão, ao contrário, mostra que o Criador tem constante canal de comunicação com sua criatura preferida. Criou nela uma perene capacidade de comunicação. A graça é o encontro real entre duas liberdades. É a encruzilhada de dois amores.

É uma gratuidade inesperada, superabundante, e disponível para a ajuda. É o prolongamento de sua presença nas realidades humanas. Muitos homens “modernos” se julgam além da graça. Não precisam de ajuda, nem a querem. Pois acham-se capazes de resolver, por conta própria, qualquer desafio. Santo Agostinho, que tinha uma fina sensibilidade espiritual, estava com seu coração sempre aberto para qualquer vontade de Cristo, que é a graça em pessoa. Ele achava que a graça divina se apresenta a nós, esperando resposta de vida. É o que ele via ter acontecido entre Jesus e os seus contemporâneos judeus. “Jerusalém, matas os profetas e apedrejas os que te são enviados” (Mt 23, 37).

Está suposto que a Cidade não teria sido destruída se seus habitantes tivessem ouvido sua voz. O grande doutor da graça quis ensinar que a graça divina, após vários fracassos, se cala e se ausenta. Pode não mais retornar.” Timeo Jesum praetereuntem et non redeuntem”. (Tenho medo de que Jesus passe alguma vez e depois não retorne). Quem nada aprendeu sobre sua fé, nada conhece das riquezas da Igreja de Jesus Cristo, agora sucumbe às ciladas dos membros das seitas. Do dia para a noite abandonam sua fé. “Não existe outro evangelho, diferente daquele que vos anunciamos” (Gal 1, 7 e 8) mostra S. Paulo.

Nós temos a graça de nos aproximarmos do Evangelho que dá vida, luz e graça. E essa graça, muitas vezes, não chegou a muitos corações, de termos a Palavra perto de nós, de nos aproximarmos do sacramento e de tantos bens espirituais que Deus nos concede.

Temos a graça de sermos formados, ensinados, corrigidos e orientados diretamente por Deus que vem falar ao nosso coração, que fala diretamente a nós, que nos abastece com Seu amor e Sua bondade. Primeiro, precisamos ser gratos a Deus, e uma vez que somos gratos a Ele, também precisamos ser muito responsáveis, porque é um mal terrível ter a graça e não nos responsabilizarmos por ela, desperdiçá-la e perdê-la, deixar que ela não produza frutos em nossa vida.

Fonte: https://cleofas.com.br/a-graca-de-deus-retorna/