A pobreza está ligada ao afeto e na descoberta de que Jesus é a minha única riqueza. A Palavra diz: “Onde está o teu tesouro aí estará também teu coração” (Mt 6,21). Um dia, quando Santo Antônio pregava em Florença, faleceu um homem rico, tão rico quanto avarento. Pensaram em solenizar as exéquias com a presença de Frei Antônio. Como tema do sermão tomou o santo a admoestação de Cristo: “Onde está o teu tesouro aí estará também teu coração”. Referia-se ele ao fato da riqueza do usurário, assegurando: ide ver o cofre dele e encontrareis seu coração no meio do dinheiro. Os parentes do defunto foram ao cofre forte do avarento. Perplexos verificaram: não era ilusão, era pura verdade! Confirmando as palavras de Cristo, ditas por Santo Antônio, sobre os montes de moedas de ouro, lá palpitava um sangrento coração.

Quando reina em nós o amor próprio, o amor por nós mesmos, Deus vem nos salvar de nós mesmos para trazer quem somos a Ele, e tudo isso nos leva a perceber que o deus de nossa vida está sendo eu mesmo, nós mesmos a realizar a nossa própria vontade.

A pobreza é nos darmos conta da Verdade, nos darmos conta de que aquilo não é bom, não é justo, não é louvável. Não fechemos o coração, o afeto, o entendimento para o Espírito Santo que fala, porque Ele é a única riqueza, é o único valor e nós não podemos tirar esse valor que é Deus, esse tudo, esse todo em mim, esse afeto que está em mim, essa pessoa que está em mim que é Deus e quer assumir o Seu trono.

A pobreza de coração nos é necessária para nos tornarmos santos, santos como o Pai do Céu é Santo. Quem busca as riquezas deste mundo dificilmente entrará no Reino dos Céus, porque transferiu para as riquezas deste mundo a sede e a procura que deveria manter em relação a Deus. É preciso respondermos com radicalidade ao amor total de Deus, ser perseverante no caminho que nos leva a entregarmos inteiramente a nossa vida, as nossas realidades ao Senhor Nosso Deus.