Toda pessoa cristã precisa fazer um discernimento natural, que é saber a diferença do bem e do mal. O consagrado, que na intimidade com Deus vai fazer o discernimento também natural, mas vai além, começa discernir para si e para a comunidade, o que é bom e o que é o melhor, porque o mal não precisa mais fazer parte da vida de consagração.

Muitos aspectos da comunidade, da nossa vida pessoal, que não é exatamente o mal (contra os mandamentos e contra o Evangelho), precisamos decidir entre bem e o melhor. Por exemplo, não brigar com o Fulano é um bem, mas tratá-lo bem é o melhor. Se estou numa escala para fazer algum apostolado que não lido muito bem, que não sei muito, e naqueles dias a comunidade vai participar de um passeio, de um convívio, de uma coisa diferente de mim e eu preciso ficar naquele apostolado, então eu posso fazer um discernimento das minhas reações, elas podem ser um bem ou um melhor. Eu posso estar ali como quem assumiu a vida consagrada, e a vida consagrada é deixar para possuir Cristo, nesta hora eu vou ter que deixar eu mesma, os meus desejos, deixar o desejo de estar junto nesse convívio, para fazer aquilo que eu preciso fazer. Em cada situação eu preciso buscar fazer o que é o melhor.

Quem pode fazer o discernimento dentro da comunidade? Discernir entre o bem e o melhor, entre o mal e o bem, quem pode? Dentro da vida comunitária, primeiramente, é a máxima autoridade, o fundador com seu conselho, com seus formadores. Cada área, então, vai ter alguém destinado, como coordenador, próprio para fazer isso, essa pessoa tem o olhar da graça para o ministério que assumiu. É claro que o fundador vê muito mais longe que um formador pessoal. É claro que um formador que coordena a formação geral vê mais longe do que um coordenador de um ministério, porque quanto mais se vê o todo, se tem uma visão melhor. Deus tem a visão do todo e do tudo.

Essas pessoas precisam ser espirituais, pessoas de escuta e de intimidade com Deus, que possam auxiliar no discernimento comunitário e pessoal. Não se pode chamar um psicólogo ou mesmo um padre que não tenha nada a ver com a espiritualidade da comunidade para fazer discernimentos, porque o discernimento compete à própria comunidade. Cuidado com as interferências na Comunidade, uma vida consagrada sem discernimento está fadada a morte, por isso a confiabilidade do discernimento.