Carisma é a graça especial concedida por Deus, uma forma mais radical de pertencermos a Ele. Ele quis que tivéssemos dentro de nós Ele mesmo, o Seu rosto, o Seu mistério, viemos para este mundo para sermos uma graça particular dentro da Igreja, preparados e dispostos para assumir e viver o chamado que contribui para renovar e construir ainda mais a Igreja.

Este dom é dado a “um” ou a “alguns” em particular, não a todos do mesmo modo, coisa que o distingue da graça santificante, das virtudes teologais e dos sacramentos, que são idênticos e comum a todos.

Carisma é sempre uma manifestação do “sobrenatural”, o que o diferencia dos talentos naturais ou transformados, o carisma é recebido através de uma ação livre e soberana de Deus, ligada ao batismo. Por isso, os talentos são muitas vezes herdados, os carismas nunca. Poderíamos comparar a presença dos carismas na Igreja como um mosaico do rosto de Cristo, cada carisma é um, é único e faz parte da mesma face do Senhor Jesus.

A Igreja dispõe seus dons a nós, um dom particular, que tem a força e o poder de Deus. Ele fez e faz maravilhas através do Carisma em nós, Ele desceu dos Céus a nós, nos tirou dos escombros que estávamos perdidos e fomos encontrados, e não é só o pecado que nos faz perder: as feridas da história nos deixam perdidos, mas nós fomos encontrados.

Que devemos fazer para que o carisma que existe em nós não se transforme em ameaça a unidade do corpo de Cristo e em perigo para a nossa própria alma? O que nós precisamos é buscar ser aquilo que Deus sonhou para cada um de nós, deixar vir para fora o bem que Deus colocou dentro, buscarmos a santidade que mantém o Carisma sadio: Tal como não se pode manter acesa uma lâmpada sem óleo, assim também é impossível manter acesa a luz dos carismas sem uma atitude capaz de nutrir o bem com comportamentos adequados, com palavras, maneiras, costumes, conceitos, pensamentos convenientes. Todo o carisma espiritual, com efeito, tem necessidade de uma atitude que lhe seja conatural, que sem cessar derrame nele, como óleo, a matéria espiritual para poder permanecer no âmbito daquele que o recebe em posse. (Máximo, o Confessor).