O discernimento espiritual é um dom de Deus que nos é dado e precisa crescer em nós. A pessoa que tem discernimento tem a capacidade de distinguir o que é o bem e o mal em si e em sua volta. Quem tem discernimento não cai facilmente em armadilhas, porque consegue compreender as verdades espirituais, vê a intenção por trás de ações e palavras para poder conformar a própria vontade à de Deus.

O discernimento tem três instâncias, a primeira é o Evangelho. Para discernir se algo é um bem ou um mal é preciso conferir com a Palavra. Ter o conhecimento da Palavra de Deus e da Igreja nos ajuda a discernir a vontade de Deus, a aprendermos a verdade e a sermos guiados pelo Espírito Santo. Assim, quando analisamos tudo à luz do Evangelho, descobrimos quais ideias ou ensinamentos são verdadeiros e quais são falsos, o que é que Deus diz a respeito daquele mal ou bem que faço. Na Palavra e no Catecismo há resposta para tudo, por isso quando damos um conselho a alguém podemos dizer: “Não sou que digo, mas a Igreja.” O primeiro discernimento não pode ser contrário ao Evangelho.

O segundo discernimento não pode ser contrário ao Carisma. Um discernimento vocacional, ou do que vou fazer na Comunidade ou de uma missão, não pode divergir da regra, do Estatuto e do próprio espírito do fundador (do que ele vai dizendo, ensinando em relação a forma de viver, de relacionar-se, de como viver a oração pessoal e comunitária, da forma de intimidade com Deus e etc). Tudo o que o consagrado decide fazer precisa observar isso e deixar-se ser guiado segundo a vida do Carisma ao qual pertence.

O terceiro ponto que temos que considerar para o discernimento são os sinais, ler os sinais que Deus vai manifestando dentro da Comunidade é muito importante. Diante deles é preciso perguntar: “Por que isso está acontecendo?”. Quem discerne tem que buscar ir às fontes, ir na pessoa envolvida e questioná-la. Ficar atento e detectar os sinais de esperança, de alegria ou mesmo de tristeza que a comunidade está vivendo e vai afetando também todo o meio. Deus mostra através dos sinais o que é necessário discernir para poder agir: corrigir, celebrar, confirmar, trazer um conteúdo de formação, de ensino para os membros, se for necessário. Por meio da acolhida dos sinais e do discernimento, Deus vai dando a graça de conhecer o bem, da obediência e da perseverança na vocação.