É interessante como no meio católico, ainda há tantas famílias que não conhecem o que a Igreja orienta para os casais, quando eles se deparam com a infertilidade. Quantos casais, mesmo entre aqueles que tem sede da verdade, desconhecem a gravidade da fertilização artificial.

A farmacêutica e professora católica Ana Carolina Derosa e seu esposo o professor Marlon Derosa, publicaram um artigo para a Vatican News, onde é mostrado os graves problemas que envolvem a fertilização artificial, de modo especial a fertilização in vitro . Segundo o casal de professores Derosa; “ A Igreja analisa essa prática à luz da fé e da razão, e sempre nos lembra de algo fundamental: todo ser humano tem dignidade desde o momento da sua concepção até a morte natural. Ou seja, mesmo o embrião recém concebido já é uma pessoa humana em início de vida, e nunca pode ser tratado como um simples “material biológico” para testes ou manipulação… A fertilização in vitro costuma ser apresentada como uma resposta ao sofrimento dos casais que não conseguem ter filhos… Há muitos problemas éticos envolvidos. Para que o procedimento funcione, são produzidos vários embriões, os melhores são selecionados e outros são congelados ou descartados. Ou seja, muitas vidas humanas são interrompidas ou ficam “congeladas” indefinidamente. A Igreja considera tudo isso como uma instrumentalização da vida humana, o que fere profundamente a dignidade de cada pessoa (cf. Dignitas personae, 18). A vida humana deve surgir do amor entre o casal, dentro do matrimônio, e não de um processo técnico feito em laboratório (cf. Donum vitae, 5)” .

“A Dignitas Personae também chama atenção para outras questões graves ligadas à fertilização in vitro, como:
– a redução embrionária, quando vários embriões são implantados no útero e, para evitar múltiplos nascimentos, alguns são eliminados. Na prática, isso é um aborto seletivo;
– o diagnóstico genético pré-implantatório, quando os embriões são examinados e os que têm alguma anomalia genética são descartados. Essa prática cria uma cultura de “bebês perfeitos” e exclui os que não se encaixam, o que pode ser considerado uma forma de discriminação baseada na saúde ou na genética;
– o congelamento de embriões, já que muitos embriões são mantidos congelados por muito tempo, e em muitos casos, são descartados em seguida. Isso representa um grave atentado contra a dignidade humana, já que o embrião é um ser humano que está mantido congelado, tendo privado o seu direito a se desenvolver no seu ambiente natural de crescimento, que é o útero materno. Muitos desses embriões acabam sendo abandonados, o que é uma grave injustiça.
Assim, mesmo quando a intenção é boa, no caso, o desejo por um filho, os meios para conseguir engravidar também precisam ser bons, e por isso, é importante que os profissionais de saúde busquem estratégias lícitas e que verdadeiramente ajudem o casal a restabelecer sua saúde e conceber naturalmente. A vida humana nunca pode ser tratada como um produto, uma escolha, uma técnica ou um objeto descartável. Toda pessoa tem dignidade, valor e deve ser acolhida como dom de Deus” , afirma o casal de professores católicos Derosa.

Cleonice Macedo Kamer
Movimento Mariano

1 https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-02/espaco-cultura-vida-familia-problemas-fertilizacao-in-vitro.html
2 Ibid


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