As palavras de Jesus «Chamei-vos amigos» (Jo 15, 15) não são apenas uma declaração afetuosa aos discípulos, mas uma verdadeira e própria chave de leitura do ministério sacerdotal. Com efeito, o sacerdote é um amigo do Senhor, chamado a viver uma relação pessoal e confidencial com Ele, alimentada pela Palavra, pela celebração dos Sacramentos e pela oração quotidiana. Esta amizade com Cristo é o fundamento espiritual do ministério ordenado, o sentido do nosso celibato e a energia do serviço eclesial ao qual dedicamos a vida. Ela sustenta-nos nos momentos de provação e permite-nos renovar a cada dia o “sim” pronunciado no início da nossa vocação.
Em particular, caríssimos amigos, desta palavra-chave gostaria de tirar três implicações para a formação ao ministério sacerdotal.
Primeiramente, a formação é um caminho de relação. Tornar-se amigos de Cristo significa formar-se na relação, não apenas nas competências. A formação sacerdotal, portanto, não pode reduzir-se à aquisição de noções, mas é um caminho de familiaridade com o Senhor que envolve toda a pessoa, coração, inteligência, liberdade, e a configura à imagem do Bom Pastor. Só quem vive em amizade com Cristo e está impregnado do seu Espírito pode anunciar com autenticidade, consolar com compaixão e guiar com sabedoria. Isto exige uma escuta profunda, uma meditação e uma vida interior rica e ordenada.
Em segundo lugar, a fraternidade é um estilo essencial da vida presbiteral. Tornarmo-nos amigos de Cristo implica viver como irmãos entre sacerdotes e entre bispos, e não como concorrentes ou individualistas. A formação deve, portanto, ajudar a construir laços sólidos no presbitério, como expressão de uma Igreja sinodal, na qual crescemos juntos partilhando as fadigas e as alegrias do ministério. Com efeito, como poderíamos nós, ministros, ser construtores de comunidades vivas, se entre nós não houvesse antes de tudo uma fraternidade efetiva e sincera?
Além disso, formar sacerdotes amigos de Cristo significa formar homens capazes de amar, escutar, rezar e servir juntos. É por isso que se deve ter todo o cuidado na preparação dos formadores, porque a eficácia da ação deles depende, principalmente, do seu exemplo de vida e da comunhão recíproca. A própria instituição dos seminários recorda-nos que a formação dos futuros ministros ordenados não pode ser feita de forma isolada, mas requer o envolvimento de todos os amigos e amigas do Senhor que vivem como discípulos missionários ao serviço do Povo de Deus.
A este respeito, gostaria também de dizer uma palavra sobre as vocações. Apesar dos sinais de crise na vida e na missão dos presbíteros, Deus continua a chamar e permanece fiel às suas promessas. É preciso que haja espaços adequados para escutar a sua voz. Por isso são importantes os ambientes e as formas de pastoral juvenil impregnadas de Evangelho, onde as vocações ao dom total de si possam manifestar-se e amadurecer. Tende a coragem de propostas fortes e libertadoras! Olhando para os jovens que, neste nosso tempo, dizem o seu generoso “Eis-me aqui” ao Senhor, todos nós sentimos a necessidade de renovar o nosso “sim”, de redescobrir a beleza de ser discípulos missionários no seguimento de Cristo, o Bom Pastor.
– Trecho do DISCURSO DO Papa Leão XIV AOS PARTICIPANTES NO ENCONTRO INTERNACIONAL SACERDOTES FELIZES – «CHAMEI-VOS AMIGOS» (Jo 15, 15)
Realizado no dia 26 de junho de 2025


