Antes dos 6 anos de idade todos os nossos 4 filhos aprenderam a nadar. Tínhamos como pais o cuidado de estimular a habilidade do domínio do nado, para que os filhos fossem capacitados o quanto antes, em caso de algum acidente ou incidente que envolvesse a queda em rio ou mar, para que eles pudessem se salvar, realizando uma “travessia” da água para o solo, com segurança.
“Travessia”, este verbo é muito significativo para as famílias, principalmente nos dias de hoje. Aqui na nossa região catarinense, temos uma Escola com este mesmo nome “Travessia”. Essa Escola, formada por um grupo de pais e professores, tem o objetivo de auxiliar as crianças nesta travessia que todos nós teremos que um dia fazer: que é atravessar deste mundo para a eternidade, até tocar o “solo” seguro da Pátria Celeste, através do ensino dos valores e princípios cristãos.
As vezes achamos que as crianças não têm o risco de irem parar no inferno. Se as crianças não corressem o risco de irem para o inferno, Nossa Senhora de Fátima não mostraria para elas este lugar tenebroso. Nossa Senhora como Mãe, no inicio do século passado fez questão de mostrar para três crianças a existência do inferno.
O Diário de Santa Faustina no número 765, revela que um dia Santa Faustina Kowalska teve uma visão quando estava andando em um Convento, de repente viu um grupo de crianças de cinco a onze anos. Quando essas crianças a viram, rodearam ela e começaram a gritar em voz alta: “Defenda-nos do mal” e levaram-na à Capela que havia neste Convento. Quando Santa Faustina lá entrou, viu o Senhor martirizado. Jesus olhou bondosamente para ela e disse-lhe que estava sendo gravemente ofendido pelas crianças e pediu para Santa Faustina para “defendê-las do mal” . Interessante que a partir dessa visão Santa Faustina se posicionou de modo diferente em vista das crianças; ela disse que passou a rezar pelas crianças, mas que sentia que só a oração não bastava. Nós como famílias sabemos que só a oração não basta para educar nossas crianças e proteja-los do mal. Vigiai e orai, disse Jesus (Mt 26, 41), existe uma sequência clara: primeiro vigiar e depois orar, é o próprio Jesus que nos ensina isto. Nossas crianças necessitam primeiro de nossa vigilância, depois de nossas orações. E quem está cuidando de nossas crianças? Quem está vigiando elas para que o mal não as seduzam?
Nossa Senhora do Bom Sucesso de Quito, disse um dia a Madre Mariana de Jesus Torres, que no século XX ocorreria a corrupção da inocência das crianças e que mal se encontraria a inocência infantil, e por este motivo perder-se-ia as vocações para o sacerdócio . E o que dizer das crianças que tem em suas mãos a “chave dos infernos”, quando tem em suas mãos, o acesso livre dos conteúdos da internet através do uso indiscriminado de celulares. Nós como pais, ou dificultamos ou facilitamos o acesso de nossos filhos ao inferno.
Estamos em um tempo difícil, de batalhas decisivas, onde não só os adultos são chamados a se posicionarem, mas as crianças também, com a ajuda dos adultos, elas merecem que lhes mostrem os perigos das facilidades do mundo.
Olhamos para as nossas crianças, e prestamos bem atenção nos sinais desses tempos, onde nesta semana, “o Ministério do Interior da Alemanha solicitou treinamento de defesa civil nas escolas” , por preocupações com uma possível generalização de conflitos entre os países. As crianças alemãs serão ensinadas a como reagirem em caso de guerra, esta guerra que na verdade é um reflexo na terra, da batalha espiritual que está se intensificando nos “ares” (Ef 6, 12) . Como famílias católicas, vamos ajudar as nossas crianças a estarem preparadas desde a infância, para a “travessia” que um dia elas farão, ou como crianças ou como adultas, para a Pátria Celeste.
Cleonice Macedo Kamer
Movimento Mariano
1 Vida Admirável da Reverendíssima Madre Mariana de Jesus Torres. Mística confidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Editora Petrus. Pg 135.


