“Não! Deus não quer! Se fazes isto, vais para o inferno! Que fazes, Alexandre? Não me toques! É pecado!”: assim “Marieta gritava, mais preocupada em defender o seu pudor do que a sua vida”.

O depoimento acima foi recolhido da boca do próprio Alexandre Serenelli, assassino de Santa Maria Goretti, e atesta uma coisa: para se conservar na graça de Deus, o ser humano deve fazer de tudo, inclusive suportar a própria morte.

De fato, a pequena camponesa que a Igreja celebra no dia 6 de julho— e que contava, quando morreu, apenas “11 anos, 8 meses e 20 dias” de vida — não defendeu a virgindade com raciocínios meramente humanos. Não foi por uma questão de honra pessoal que ela lutou até o fim para não ser violada — ainda que essa fosse, humanamente falando, uma causa muitíssimo justa. Sua preocupação, externada nos gritos terríveis com que se defendia, eram a vontade de Deus e a salvação da alma de seu agressor. Como todo mártir, Maria Goretti apegava-se à , desprezando o mundo visível pelas realidades invisíveis. Mesmo analfabeta, a menina descobrira, a partir da educação cristã dos pais, que havia algo maior que a vida natural: a graça divina dentro de si. Por ela, valeria a pena gastar tudo, inclusive derramar o próprio sangue. E por isso ela resistiu.

“Antes morrer do que pecar”. Eis a verdade em que creram, de modo particular, todos os mártires da Igreja; verdade em que todos os católicos deveriam acreditar. Mas, infelizmente, quantos já nem sabem mais o que significa o pecado.

Santa Maria Goretti, por exemplo, não “relativizou” o pecado que a fez padecer. Ao contrário, reconheceu a sua gravidade desde o princípio, e por isso mesmo se negou a consentir; acolheu as consequências terríveis desta escolha e ofereceu-as todas a Deus, como reparação e, ao mesmo tempo, intercessão por seu assassino.

Nisso ela muito se assemelhou a Nosso Senhor em seu sacrifício expiatório. De fato, assim como Jesus no Calvário, esta pequena viu o sangue jorrar das feridas abertas pelo assassino em seu pequeno corpo. Também em perfeita configuração a Cristo, ela concedeu ao seu agressor nada menos que o perdão. “Marieta, Jesus morreu perdoando ao bom ladrão; e você perdoa de todo coração ao assassino?”, perguntaram-lhe. “Oh, sim”, respondeu. “Eu também lhe perdoo por amor de Jesus. E desejo vê-lo bem perto de mim no Paraíso”.

Mais tarde, seu desejo seria atendido: Alexandre se converteria verdadeiramente ainda na prisão, e passaria o resto da vida fazendo penitência por seu crime. Mas seu pecado teve um preço imediato. O perdão de Maria não foi “barato”. Às 15h45min do dia 6 de julho de 1902, ela não resistiu e faleceu.

A morte desta mártir é o completo avesso da mentalidade mundana moderna, que afetou até pessoas de Igreja. Hoje, diante do pecado, como reagem os católicos? Cientes de que irão ofender a Deus, eles nem por isso deixam de pecar, já “seguros” de que se confessarão depois. Pecar é visto como algo normal, uma trivialidade, um ato que facilmente se cancela com algumas palavras mais ou menos sinceras diante de um padre.

O testemunho dela, por sua vez, é um verdadeiro “tapa na cara” da juventude moderna, tão habituada aos prazeres fáceis da carne. Maria Goretti guardou sua pureza inviolável, mesmo diante de ameaças de violência e morte. Diante desse testemunho radiante, nos arrependamos de nossas impurezas e de todo tipo de pecado. Não abusemos mais da misericórdia e da paciência de Deus para conosco. — Santa Maria Goretti, rogai por nós!

Referência: https://padrepauloricardo.org/