No início de novembro, o Papa Leão XIV falou sobre os cuidados que somos chamados a ter diante do uso da tecnologia virtual. Ele alertou que: “Atualmente assistimos a uma época de novo progresso tecnológico que, em alguns aspectos, é comparável à Revolução industrial, mas é mais abrangente. Influencia fortemente a nossa forma de pensar, alterando a nossa compreensão das situações e o modo de nos sentirmos a nós próprios e aos demais. Atualmente, interagimos com as máquinas como se fossem interlocutores, tornando-nos quase uma extensão delas. Neste sentido, corremos o risco não só de perder de vista os rostos das pessoas à nossa volta, mas também de esquecer como reconhecer e valorizar tudo o que é verdadeiramente humano.

Essas palavras tão acertadas do Papa Leão XIV, sobre a realidade virtual, se trata na verdade de um “diagnóstico” de como as famílias estão sendo tão afetadas por influências que vem de fora, “competindo” com os relacionamentos familiares. Quantas famílias estão sentindo na pele, isto que o Papa disse: “Corremos o risco não só de perder der vista os rostos das pessoas à nossa volta, mas também de esquecer como reconhecer e valorizar tudo o que é verdadeiramente humano”.

Quantos matrimônios estão se desestabilizando, pois um dos cônjuges ou os dois cônjuges passam muito tempo envolvidos com o celular. O risco que se corre é quando um cônjuge ao ver o outro se ocupando mais com o virtual do que da realidade, é de entrar em um mecanismo, onde ao se ver sem a atenção do outro(a), se isola também em seu próprio celular. No mundo virtual, ou você domina a tela ou você é dominado por ela, não existe meio termo. No matrimônio, pelo menos um dos dois precisa estar “sóbrio” e dar um “basta” em excessos de interferências virtuais, para que o matrimônio e a família permaneçam de pé. E como fazer isso? Primeiramente o cônjuge que permanece sóbrio pedirá a graça do Espírito Santo para continuar cumprindo seus deveres de estado de vida, e pedir também a graça para que o cônjuge renuncie o uso excessivo de realidades virtuais, para que retome a prioridade da convivência familiar.

Outra mudança social que estamos assistindo, é o fato de expor a vida pessoal e familiar em redes sociais. Essa exposição coloca em risco tanto a pessoa em si, como sua família, por deixar exposta a olhares nem sempre equilibrados, de pessoas que estão te vendo, mas que não desejam o teu bem. Nós católicos, que seguimos a Palavra de Deus, somos orientados em sermos discretos, como disse São Paulo: “nossa vida deve estar escondida com Cristo em Deus” (Cl 3, 3).

Cleonice Macedo Kamer
Movimento Mariano

1 https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/pont-messages/2025/documents/20251107-messaggio-ai-medicine.html


CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O ÁUDIO