Como os Apóstolos, também nós repetimos a Jesus hoje: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11, 1). Na realidade, só em Cristo o homem se torna capaz de se unir a Deus com a profundidade e a intimidade de um filho em relação a um pai que o ama, só nele nós podemos dirigir-nos em toda a verdade a Deus, chamando-lhe carinhosamente: “Abá! Pai!”.
Vem Espírito Santo!
Para aprender a viver ainda mais intensamente a relação pessoal com Deus, aprendemos a invocar o Espírito Santo, primeiro dom do Ressuscitado aos crentes, porque é Ele que “vem em auxílio da nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém” (Rm 8, 26), diz são Paulo, e sabemos que Ele tem razão.
A Palavra de Deus
Como posso deixar-me formar pelo Espírito Santo e assim tornar-me capaz de entrar na atmosfera de Deus, de orar com Deus? Qual é esta escola na qual Ele me ensina a rezar, vem em ajuda da minha dificuldade de me dirigir de modo justo a Deus? A primeira escola para a oração é a Palavra de Deus, a Sagrada Escritura.
A Sagrada Escritura é um diálogo permanente entre Deus e o homem, um diálogo progressivo no qual Deus se mostra cada vez mais perto, no qual podemos conhecer sempre melhor a sua face, a sua voz e o seu ser; e o homem aprende a aceitar que conhece Deus, a falar com Deus. Portanto lendo a Sagrada Escritura, procuramos aprender como podemos entrar em contato com Deus a partir da Escritura, deste diálogo permanente.
A Sagrada Liturgia
Existe outro ‘espaço’ precioso, mais uma ‘fonte’ inestimável para crescer na oração, uma nascente de água viva em relação estreitíssima com a precedente. Refiro-me à liturgia, que constitui um âmbito privilegiado no qual Deus fala a cada um de nós, aqui e agora, e espera a nossa resposta.
O que é a liturgia?
Se abrirmos o Catecismo da Igreja Católica — subsídio sempre precioso, e diria indispensável — poderemos ler que originariamente a palavra ‘liturgia’ significa ‘serviço por parte do povo a favor do povo’ (n. 1.069). Com efeito, o Povo de Deus não existe por laços de sangue, de território, de nação, mas nasce sempre da obra do Filho de Deus e da comunhão com o Pai, que Ele nos obtém.
O nosso coração, o íntimo de nós mesmos, deve abrir-se docilmente à Palavra de Deus e recolher-se na oração da Igreja, a fim de receber a sua orientação para Deus das próprias palavras que ela ouve e pronuncia. O olhar do coração deve dirigir-se ao Senhor, que se encontra no meio de nós: é uma disposição fundamental.
Quando vivemos a liturgia com esta atitude de base, o nosso coração é como que subtraído à força de gravidade, que o atrai para baixo, e eleva-se interiormente para o alto, para a verdade, para o amor, para Deus. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica: “A missão de Cristo e do Espírito Santo que, na liturgia sacramental da Igreja anuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação, prossegue no coração de quem ora. Os Padres espirituais comparam, por vezes, o coração a um altar” (n. 2.655).
Fonte: Parte do discurso do Papa Emérito Bento XVI por ocasião da Audiência Geral ocorrida na Quarta Feira 26 de Setembro de 2012 em Roma.