“Deus enviou Seu Filho” (Gl 4,4), mas, para “formar-lhe um corpo” quis a livre cooperação de uma criatura. Por isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, “uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria” (Lc 1,26-27): “Quis o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida” (§488).

Maria é nossa verdadeira Mãe, não evidentemente carnal, mas espiritual. De fato, mãe é aquela que coopera para dar a vida e, tendo dado, a protege até que tenha alcançado o pleno desenvolvimento.

Ora, Maria coopera com o Redentor para nos dar a vida sobrenatural da graça. A graça é uma nova vida: “Quem não nascer de novo…”disse Nosso Senhor. Portanto, desde o momento em que Maria coopera para nos dar essa vida da graça, se tornou nossa Mãe espiritual.

A Virgem Maria é verdadeiramente “Mãe de Cristo e Mãe da Igreja” (São Paulo VI, Proclamação solene, 21 novembro 1964) “porque cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis, que são os membros desta Cabeça [que é Cristo]” (CV II, LG n.53).

Maria é verdadeiramente Mãe universal, «este é o seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade» (CIC 968). «De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça» (CV II, LG 61).

Maria gerou-nos para a vida da graça no Calvário, quando se tornou nossa Co-redentora: “Maria é Mãe de todos os Cristãos, por havê-los gerado no Calvário entre os supremos tormentos do Redentor” (Leão XIII – Enc. Quem pluries). Foi nesse no momento da vida de Nosso Senhor sobre a terra que Ele quis promulgar Maria nossa Mãe: “Mulher, eis aí teu filho” e voltando-se para o discípulo: “Eis tua Mãe”. Comentando este trecho, Leão XIII afirma: “Na pessoa de João, segundo o pensamento constante da Igreja, designou Cristo o género humano, principalmente aqueles que aderem a Ele pela Fé” (Enc. Adjutricem populi Christiani).
“Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que ela fielmente prestou na anunciação, que sob a cruz resolutamente manteve, até à perpétua consumação de todos os eleitos” (CV II, LG 60).

Fonte: https://www.nadateespante.com/catecismo-de-nossa-senhora/a-maternidade-espiritual-de-maria/