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Formação
Crise vocacional ou momento providencial

Há quem garanta que não existe crise vocacional, o que existe é um momento de transformação profunda do ser consagrado ou, na pior das hipóteses, uma crise de egoísmo.

A Igreja se manifesta no documento sobre formação chamado “Potissemum Institution”, onde alerta para a imperiosa necessidade de se dar atenção especial a cada etapa da formação do candidato a consagração. Depois dos primeiros compromissos, a formação assume uma nova etapa chamada formação permanente, que se prolongará até o último segundo da vida do consagrado. Durante a formação permanente, haverá diversos momentos ‘fortes’ na vida de cada vocacionado. É preciso observar estas passagens, pois possuem grande valor formativo.

Vejamos algumas situações que devem ser levadas em conta:

1. Logo depois da consagração;
2. Dez anos depois dos primeiros compromissos, ordenação ou profissão;
3. A chegada aos quarenta anos;
4. A proximidade da aposentadoria ou da morte;
5. Mudança do estado de vida;
6. A chegada dos filhos

Nesta primeira postagem vamos comentar sobre a ‘crise’ que pode surgir logo que a pessoa faz os primeiros compromissos de consagração de vida através de um carisma. É quando os ânimos se relaxam, os esforços se retraem e a pessoa pode, sem perceber, intuir que já deu tudo que podia e pode parar pelo caminho. Muita atenção a este momento crítico!

1. Logo depois da Consagração

Todo aquele que recebeu o Sacramento do Batismo é um consagrado a Deus. A consagração batismal possui desdobramentos distribuídos por Deus entre seus filhos segundo sua vontade: alguns são chamados à vida religiosa, contemplativa, monástica, etc., outros ao ministério sacerdotal, outros a consagração de vida ou a viver como leigo engajado da Igreja, todos, porém, comungam do chamado de Deus a santidade e possuem uma missão única na evangelização, na família, na sociedade e no mundo.

Infelizmente alguns vocacionados compreendem a consagração como um fim, uma conquista, uma meta a ser atingida e não como uma missão e um meio para viver a vontade de Deus. Vejamos algumas consequências deste entendimento errado a respeito da consagração: logo que se consagram, muitos acabam caindo no vazio, a oração já não tem o mesmo sentido, cessa-se a luta pela conversão diária e pela superação dos desafios, afinal, aquele vocacionado já atingiu a meta e agora é só ‘relaxar’ ou até, buscar novas emoções… Existem aqueles que, achando-se prontos, acabados, poderosos, se autorizam a não mais obedecer às regras do carisma ou da consagração assumida, afinal: “agora sou mais velho, tenho meus direitos conquistados, já sofri que chega,não preciso mais obedecer, me humilhar, me submeter…” e outros ainda chegam ao cúmulo de institucionalizar uma vida de pecado; aquelas tentações combatidas seriamente durante o caminho de formação para a consagração, agora, podem ser vividas. A luta está suspensa, os maus hábitos são “re-autorizados” no olhar, no pensar, no dizer…muitos consagrados vivem as regras e normas de seu carisma somente até atingirem a consagração, como se, agora seguros de si, não precisassem mais do trabalho, do esforço, da oração, das renúncias inerentes ao chamado de Deus e indispensáveis para um autêntico processo de conversão.

Esta crise é mais grave em suas conseqüências que as outras citadas, as outras podem levar a pessoa a deixar a vocação, o que é mau certamente, mas esta pode levar a pessoa a permanecer e sedimentar em si a mediocridade. A Epístola de São Pedro alerta (1Pd 2,1-3): “Deponde, pois, toda malícia, toda astúcia, fingimentos, invejas e toda espécie de maledicência. Como crianças recém-nascidas desejai com ardor o leite espiritual que vos fará crescer para a salvação, se é que tendes saboreado quão suave é o Senhor (Sl 33,9)”. Podemos observar os efeitos desta crise muito perto de nós; encontramos consagrados levianos, levados pelas ondas do secularismo, relativismo, modernismo, etc., justificando pecados, tolerando o intolerável, mergulhados no respeito humano, incapazes de acolher e orientar as almas para a vontade de Deus, levando o rebanho de Deus à perda, atualizando em nossos dias a dolorosa queixa do Senhor através do profeta: “Meus guardas estão todos cegos e não vêem nada; são cães mudos incapazes de latir, sonham estirados, gostam de cochilar.” (Is 56,10). Tornam também eficaz o provérbio que diz que: a alegria do lobo é a sonolência do pastor, lembrando que pastor não é somente o sacerdote, é todo aquele que o Senhor chamou para cuidar de seu rebanho.

Como evitar esta armadilha, mesmo antes da consagração? Diz o Senhor: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará “(Jo 8,32). O conhecimento de si é essencial, o conhecimento das reais motivações e intenções que nutrem as escolhas vocacionais ajudará o correto discernimento da vontade de Deus. A formação e a direção espiritual assumem um papel indispensável, questionando, sustentando, orando junto com o vocacionado, ensinando-o a escutar a voz do Amado Deus, para que sua vocação não seja um equívoco, mas uma resposta ao chamado divino.

Confira a próxima postagem a sequência do título: Crise vocacional ou momento providencial: Dez anos depois dos primeiros compromissos, ordenação ou profissão.

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